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    A relação entre HPV e câncer do colo do útero

    O HPV é uma das principais IST e está intimamente ligado ao câncer cervical

    Por Gislene PereiraPublicado em 31/05/2022, às 10:02 - Atualizado em 22/02/2024, às 17:26
    Foto: Shutterstock

    O câncer do colo do útero – também conhecido como câncer cervical –, é o terceiro tipo mais comum entre as brasileiras, atrás do câncer de mama e do colorretal, e o quarto que mais mata mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

    A doença é causada pela infecção persistente de alguns tipos de alto risco do Papilomavírus Humano (HPV), apontado pela Organização Mundial de Saúde como a principal infecção sexualmente transmissível (IST) no mundo todo, atingindo mais de 290 milhões de mulheres no mundo todo.

    “O HPV apresenta mais de 200 tipos conhecidos, sendo os mais preocupantes aqueles classificados como de alto risco para a doença por causarem lesões pré-cancerígenas”, diz a ginecologista e obstetra Marcela Bernardi, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

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    Sintomas do câncer de colo de útero

    O câncer de colo do útero é uma doença de desenvolvimento lento e normalmente não dá sintomas. Nos estágios mais avançados, pode levar a sangramento vaginal que vai e volta, corrimento anormal e dor no abdômen associada a queixas urinárias ou intestinais. Por isso, a importância de realizar exames periódicos no ginecologista a partir dos 25 anos. O mais importante deles? O Papanicolau.

    “O exame é o principal aliado feminino para a detecção precoce do câncer do colo do útero. Nele, o profissional de saúde coleta células da região por meio de uma espátula ou espécie de escovinha, que são levadas para análise patológica”, diz Marcela. “Com o resultado em mãos, é possível verificar se há alterações causadas pelo HPV”, completa. Vale reforçar que, quando diagnosticado na fase inicial, as chances de cura do câncer cervical são de 100%.

    Na grande maioria dos casos de infecção, a paciente é assintomática e seu organismo elimina o HPV espontaneamente num período médio de 18 meses. “Contudo, nesse intervalo, apesar de não apresentar sintomas, a mulher pode transmitir a doença durante o contato sexual – as chances diminuem em 80% com o uso do preservativo”, diz a ginecologista Laura Rotelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

    Tratamento para o câncer de colo de útero 

    Quando as alterações estão em fase inicial, é possível tratar as lesões com procedimentos de menor complexidade, com a retirada de uma porção do colo do útero por meio da conização ou CAF (cirurgia de alta frequência).

    Já em casos de doença mais avançada, é necessária a cirurgia que pode ou não ser acompanhada de radioterapia e/ou quimioterapia. “O tratamento depende do grau de invasão do câncer, podendo ser realizada uma traquelectomia, que é a retirada do colo uterino, ou a histerectomia total, que é a retirada total do útero e do colo do útero”, diz Laura.

    É importante reforçar que cada caso deve ser avaliado e orientado por um médico, que leva em consideração fatores como estágio de evolução da doença, tamanho do tumor, idade da paciente, desejo de ter filhos, entre outros.

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    Fatores de risco e prevenção do câncer de colo de útero

    Alguns hábitos favorecem que o HPV leve ao câncer do colo do útero, sobretudo aqueles que diminuem a imunidade e causam alterações hormonais.

    São fatores de risco: 

    • Tabagismo 
    • Número alto de gestações
    • Múltiplos parceiros
    • Início precoce da vida sexual 
    • Presença de outras ISTs, como HIV e clamídia 
    • Uso prolongado de anticoncepcionais (pequeno aumento de risco)

    “Na prática, a prevenção é alcançada com vacinação completa até 15 anos de idade e, após 25 a 30 anos de idade, com o início do rastreamento através de exames periódicos com intervalos de 3 (Papanicolaou ou citologia) a 5 anos (teste de DNA-HPV). O risco pode ser diminuído com o controle de outros fatores, como o tabagismo e o alto número de parceiros”, afirma Julio Cesar Teixeira, ginecologista e diretor da Divisão de Oncologia do Hospital da Mulher da Unicamp.

    Vacina do HPV  

    Foto: Shutterstock

    A vacina do HPV tetravalente faz parte do calendário vacinal do Ministério da Saúde desde 2014,  e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas entre 9 e 14 anos, e para mulheres imunossuprimidas – por exemplo, aquelas que usam corticoide de forma crônica, convivem com o HIV ou que têm o diagnóstico de câncer – com idade entre 9 e 45 anos. Quem está fora desses grupos deve ser imunizado na rede privada.  

    A vacina é indicada e liberada no Brasil para mulheres entre 9 e 45 anos, e para homens entre 9 e 26 anos, idades que os estudos demonstraram proteção consistente. Quanto mais cedo ela for aplicada, maior a taxa de proteção e prevenção. 

    “Um adulto que ainda não teve relação sexual talvez seria o principal grupo para ser vacinado. Ele tem perfil similar ao pré-adolescente, com maior potencial de proteção caso o contato sexual vier a acontecer. Lembrando que não precisa ter relação com penetração: qualquer contato pele a pele ou mucosa pode resultar em transmissão”, afirma Julio Cesar. 

    Qual vacina de HPV está disponível no Brasil?

    No Brasil, a vacina contra o HPV é quadrivalente está disponível na rede pública. Ela protege o organismo de quatro tipos mais comuns do vírus:

    • 6 e 11, considerados de baixo risco por causarem verrugas;
    • 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero.

    A vacina HPV nonavalente está disponível na rede privada, com proteção contra 9 tipos de HPV: 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58.

    Além de conferir mais proteção, a vacina nonavalente pode ser aplicada em um público mais amplo: homens e mulheres com idade entre 9 e 45 anos.

    Mitos e verdades sobre a vacina do HPV

    Como já tive HPV, não preciso me vacinar: MITO.

    Estudos mostram que a vacina aumenta a resposta imune de quem já teve contato com o HPV, diminuindo a chance de novas lesões aparecerem. “Além disso, é importante lembrar que mesmo se você já teve contato com algum tipo, a vacina vai proteger seu organismo de outros três”, diz Marcela.  

    Mesmo quem já iniciou a atividade sexual deve tomar a vacina: VERDADE.

    Apesar de o público-alvo da vacinação pelo SUS serem meninos e meninas que ainda não iniciaram sua vida sexual, todas as mulheres podem ser beneficiadas com o imunizante.  

    A vacina causa efeitos colaterais graves: MITO.

    Por ser feita a partir dos vírus inativados (assim como diversos imunizantes), ela pode causar alguns eventos adversos leves, como inchaço, vermelhidão e dor no local da aplicação. Também podem ocorrer dor de cabeça, no corpo e febre baixa – mas nada que justifique o medo de tomar a vacina.  

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