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    Alzheimer: exame de sangue avalia risco da doença

    Novo teste auxilia diagnóstico e tomada de decisões para pacientes com suspeita de demência

    Por Danielle SanchesPublicado em 27/05/2022, às 16:03 - Atualizado em 25/05/2023, às 17:50
    Foto: Shutterstock

    O aumento da expectativa de vida do ser humano trouxe também novos desafios para que esse tempo “a mais” seja aproveitado com qualidade. Um dos problemas a serem enfrentados é o aumento nos casos de demência, síndrome caracterizada pela deterioração da capacidade cognitiva e que vai além do esperado pelo envelhecimento biológico do cérebro.  

    O principal tipo de demência – e talvez o mais conhecido – é o Alzheimer. A doença hoje acomete mais de 55 milhões de pessoas no mundo, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).  

    Nesse sentido, a busca por novos tratamentos e também novas ferramentas que ajudem no diagnóstico do problema se tornou de grande importância para o setor de saúde. E uma inovação dessa área acaba de chegar ao Brasil: o primeiro exame de sangue capaz de detectar o risco de desenvolver Alzheimer.  

    O teste, feito com uma amostra simples de sangue, busca traços da proteína beta-amiloide, um biomarcador importante que se acumula nas células nervosas (os neurônios) do cérebro de quem tem a doença.  

    Trazido ao país pelo Grupo Dasa, o exame foi aprovado recentemente nos EUA e promete auxiliar no diagnóstico de pacientes que apresentam sintomas de comprometimento cognitivo leve, com suspeita de demência causada pela Doença de Alzheimer.  

    “Esse não é um teste de rastreio nem de diagnóstico definitivo, mas de detecção do risco de desenvolver a doença”, afirma Gustavo Campana, diretor médico da Dasa. “O resultado pode auxiliar no ajuste de condutas, como melhorar hábitos para desacelerar a progressão da doença”, explica o especialista.  

    Campana lembra que, atualmente, embora existam muitas pesquisas no setor farmacêutico para buscar um tratamento adequado para o Alzheimer, o maior desafio ainda é a detecção precoce da doença. 

    O exame custa R $1,5 mil e não é coberto por planos de saúde. “Mas ainda é um custo muito menor do que passar por outros procedimentos, mais complexos e invasivos, para se detectar a doença”, avalia Campana. 

    Para saber mais sobre esse exame, clique aqui.

    Como o exame é feito?

    A tecnologia utilizada no teste é chamada de espectrometria de massas. Nela, é possível enxergar moléculas em pequenas concentrações de sangue ou outros tipos de amostras biológicas.  

    No caso do Alzheimer, o exame busca traços de duas frações da proteína beta-amiloide para calcular qual o risco do paciente ser portador da doença.  

    Um dos estudos realizados com a nova tecnologia mostrou que a sensibilidade desse exame chega a 71%, ou seja, para cada 100 indivíduos com a doença, 71 seriam definidos como alto risco pelo exame.  

    Qual é a vantagem do exame?  

    Além de auxiliar na detecção precoce do Alzheimer, o teste possibilita uma forma menos desconfortável e menos invasiva para detectar a doença.  

    Tradicionalmente, o diagnóstico do Alzheimer é feito por meio da análise de sintomas clínicos e testes cognitivos realizados por um médico especialista.  

    Uma vez que o declínio das funções seja detectado, o especialista ainda pode pedir alguns exames para descartar outras doenças e confirmar o diagnóstico.  

    Entre eles está a coleta de líquor, um exame invasivo feito por meio de uma punção lombar, para estimar os níveis de placas amiloides no sistema nervoso do paciente. 

    Além de invasivo, o exame também pode resultar em complicações – especialmente para pacientes idosos, acima dos 60 anos, que costumam ter outras doenças associadas.  

    “A área lombar é de fácil sangramento se o paciente toma anticoagulantes, por exemplo, e pode criar uma ferida”, explica Renata Faria Simm, neurologista do Hospital Santa Paula. “Além disso, pode-se ter dificuldade de acessar o local por causa de doenças degenerativas na coluna, que não são incomuns nesses pacientes”, afirma.   

    Para ela, essa é mais uma ferramenta importante no arsenal clínico para tratar a doença, cujo manejo deve ser iniciado logo que for diagnosticada.  

    “É importante fazer esse diagnóstico cedo pois as demências têm tratamentos diferentes e, em breve, os pacientes com Alzheimer devem se beneficiar de novos medicamentos para serem usados em estágio inicial”, acredita a médica. 

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